Pimentel (PT) autorizou obras da Vale, mesmo avisado de que poderiam causar a tragédia em Brumadinho

Laudo de segurança de consultora alemã avisou sobre os problemas da barragem e recomendou ações contrárias ao aprovado por Pimentel

A empresa Vale S/A solicitou ao governo de Minas Gerais, em dezembro de 2018, autorização para obras de alto risco, que envolviam explosões e utilização de equipamentos pesados no complexo Paraopeba, para um projeto de expansão justamente do Córrego do Feijão, onde ocorreu a tragédia de Brumadinho (MG). A solicitação foi aceita e as obras autorizadas pelo então governador, Fernando Pimentel, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Pimentel contrariou o laudo de segurança da consultora Tüv Süd, encomendado pela própria Vale, que atestou a estabilidade da estrutura, mas avisou sobre problemas no sistema de drenagem e que a estabilidade do alteamento estava no limite de segurança das normas brasileiras, recomendando à mineradora que aumentasse a segurança, através de algumas ações que evitariam a liquefação – quando materiais sólidos se comportam como líquidos -, uma das causas da tragédia de Brumadinho (MG) – o que fica claro pelo vídeo do rompimento mostrando as estruturas se liquefazendo na frente de todos.

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O petista autorizou justamente os procedimentos contrários às recomendações da consultora alemã. A Tüv Süd recomendou a proibição de explosões nas redondezas da mina, evitar o tráfego de veículos e equipamentos pesados e impedir a elevação do nível de água na estrutura, enquanto o licenciamento aprovado pro Pimentel previa o uso de explosivos, retroescavadeiras para remoção mecânica de rejeitos e caminhões de grande porte para transportar materiais.

Segundo a Vale “Nenhuma das atividades licenciadas foram iniciadas”, no entanto, na mesma nota, a empresa diz:

“No relatório emitido pela Tüv Süd em junho, não existe a recomendação expressa de paralisação das operações das minas. Essas detonações, portanto, eram realizadas de forma monitorada na cava das minas de Córrego do Feijão e de Jangada, estando de acordo com as recomendações da auditoria.”

Se as atividades não foram inciadas, como as detonações eram “realizadas de forma monitorada”? Como realizar atividades sem as iniciar? A consultora alemã não mandou paralisar as operações, mas recomendou expressamente que proibissem as explosões? Talvez a diretoria da Vale, ou os responsáveis pela análise do relatório da Tüv Süd tenham graves problemas de interpretação de texto, ou não?

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O licenciamento foi obtido em 12 de dezembro de 2018, como uma das últimas ações do governo do petista Fernando Pimentel. A tragédia de Brumadinho deixou 157 mortos e 182 desaparecidos.


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Fonte: G1
Roberto Barricelli

Roberto Barricelli

Jornalista e historiador. Diretor de Comunicação da Liga Cristã Mundial, foi assessor de imprensa do Instituto Liberal (RJ). Desenvolve estudos nas áreas de filosofia, história e ciência política.

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