Ex-Primeiro Ministro funda partido à “Direita” em Portugal

ALIANÇA é o mais novo partido português e "às direitas"

Pedro Santana Lopes ficou de 1976 a 2018 no Partido Social Democrata (PSD) de Portugal, lá se foram 42 anos de vida pública e a serviço do país e do partido. Em 2004, durante a presidência de Jorge Sampaio, numa coligação entre o PSD e o CDS – Partido Popular – de inspiração democrata cristã -, foi Primeiro Ministro, ficando 8 (oito) meses no cargo. À época havia um acordo entre PSD e CDS de que o governo não discutiria sobre a proposta do Partido Socialista (PS) de uma nova lei de aborto, mas Santana Lopes abriu as portas para essa discussão mesmo assim e à realização de um referendo.

Santana Lopes diz acreditar que há vida desde a concepção, mas em 2004 defendeu que há casos nos quais pode ser justificável o aborto, entre eles, de mulheres em extremas dificuldades financeiras – ao que parece, o político prefere que a mulher aborte o filho a criar na pobreza; uma política de higienização disfarçada? -, mas não se sabe a posição atual do ex-Primeiro Ministro. No entanto, tanto no Estatuto quando na Declaração de Princípios de seu novo partido, o ALIANÇA, se defende o “respeito pela vida, pela pessoa e sua dignidade, sempre no centro das decisões”.

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O ALIANÇA também defende a liberdade religiosa e condena a visão materialista e egoísta de mundo, além de se assumir um partido pró-livre iniciativa, liberdade econômica e reformulação do modelo de Estado português, com descentralização da educação e a liberdade dos pais em educar seus filhos de acordo com seus próprios valores. Não tem pretensões de retirar Portugal da União Européia (UE) e pretende a promoção da tolerância e da paz, sem abrir mãos da construção histórica de Portugal e dos “princípios, os valores e os costumes que integram a identidade nacional e a sua história multissecular”.

A Coesão Territorial e a sustentabilidade ambiental são pautas centrais no novo partido português, sendo quanto à primeira:

“Lutamos pelo imperativo absoluto da Coesão Territorial. O combate à desertificação do território e ao abandono do interior é uma razão de ser cimeira para a existência desta nova entidade política. A defesa dos recursos naturais, o apoio a uma agricultura moderna, bem infraestruturada e bem equipada, uma política fiscal e de licenciamentos que atraia investimentos para os territórios abandonados, são condições essenciais para mudar a realidade atual.

Acreditamos que o crescimento económico e o progresso social de que Portugal precisa só serão sólidos e sustentáveis com essa coesão territorial. Mantemos o entendimento da importância da descentralização de entidades e serviços, de modo equitativo e planificado, por todo o território nacional”

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E no que diz respeito à sustentabilidade ambiental, pauta de grande interesse numa época na qual se discute em Portugal um novo aeroporto na capital Lisboa, alvo de ataques de uma ong ambiental globalista (Zero) que tenta travar a obra, o ALIANÇA declara:

“A ALIANÇA estará sempre nas soluções de progresso. Progresso, nos nossos dias, é garantir a defesa do Planeta e a proteção do meio- ambiente. Por isso, queremos uma economia de baixo carbono com a constante procura de soluções que permitam a sustentabilidade ambiental. Não sacrificamos esses objetivos às exigências do crescimento económico”.

E falando em crescimento econômico, o fundador-presidente do novo partido – à “direita” -, durante discurso de encerramento do 1º Congresso do ALIANÇA, declarou que “É muito difícil haver o que quer que seja grátis. Tudo tem um custo”, quase parafraseando o economista americano Milton Friedman, vencedor de um Nobel de Economia e maior nome da chamada Escola de Chicago. Para isso, defende que o Estado seja forte e soberano naquilo que lhe compete e retirado do que não lhe compete, por exemplo, investindo em melhores condições nos serviços se segurança e justiça, enquanto reforma o SNS (Serviço Nacional de Saúde) deve aumentar a participação do setor privado, com seguros de saúde desburocratizados e acessíveis à população, com o Estado podendo ajudar àqueles que comprovadamente não possuam condições financeiras – proposta parecida com o sistema de vouchers, também proposto por Friedman – a apoio às “entidades de economia social” – filantrópicas e privadas – que já prestar serviços de cuidados à saúde.

Ainda segundo Santana Lopes: “Quanto mais o Estado gasta mais impostos temos que pagar”. O ALIANÇA difere em sua Declaração de Princípios áreas estratégicas onde deve haver a presença de um “Estado Responsável, Regulador e Dinamizador”, daquelas que compete exclusivamente à sociedade. Uma Reforma da Seguridade Social Pública está prevista, com defesa do “investimento particular em esquemas de previdência alternativos e individualizados” – o que chamamos de Previdência Complementar via Capitalização Privada.

O partido professa considerar essencial e “obrigação de qualquer pessoa civilizada” os cuidados com os deficientes, prometendo que promoverá a inclusão social e acessibilidade para essas pessoas, mas não explica como isso será feito, nem apresenta propostas concretas sobre o assunto, como faz em relação ao SNS, SSP e outros setores da Administração Pública, inclusive, colocando a Família como núcleo central através do qual se organiza a sociedade.

Por fim, Pedro Santa Lopes teceu duras críticas ao então presidente Cavaco Silva, em 2010, membro de seu partido à época (o PSD), por causa da sanção à lei do “casamento” gay, naquele ano, inclusive afirmando:

“Não podemos misturar conceitos, senão qualquer dia nada importa, a não ser o nosso estado de espírito. Não sou anarquista, e as sociedades devem ter regras. E faz parte das regras haver designações diferentes para institutos diferentes” 

Por fins de informação, foi o mesmo Cavaco Silva que promulgou a lei do aborto em 2007, mas vetou a mesma lei em 2016, junto com o diploma (aqui chamamos decreto legislativo) que autorizava a adoção por pares gays.

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Fontes: Declaração de Princípios do ALIANÇA DN (Portugal) Entrevista Jornal I / Reprodução Diário de Notícias (Portugal) Estatutos do ALIANÇA
Roberto Barricelli

Roberto Barricelli

Jornalista e historiador. Diretor de Comunicação da Liga Cristã Mundial, foi assessor de imprensa do Instituto Liberal (RJ). Desenvolve estudos nas áreas de filosofia, história e ciência política.

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