Exclusiva com Paulo Figueiredo Filho – Brasil: Perspectivas, ativismo e empreendedorismo

Paulo Figueiredo Filho cursou Comunicação Social e Ciências Econômicas na PUC-Rio, é pós-graduado em Negotiation Mastery pela Harvard Business School e Mestrando em Data, Economics and Development Policy pelo Massachusetts Institute of Technology. Como empresário no ramo imobiliário e hoteleiro, desenvolveu alguns dos projetos mais icônicos do Rio de Janeiro e atuou como parceiro preferencial da Trump Organization no Brasil. Atualmente, segue atuando em suas empresas e promovendo intercâmbio empresarial entre Brasil e EUA, onde reside desde 2015.

Roberto Lacerda Barricelli – Qual será o maior desafio do novo governo?

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Paulo Figueiredo Filho São muitos. Existe uma questão óbvia de criminalidade e a fiscal que precisam ser urgentemente enfrentadas. Mas em termos de complexidade, entendo que os maiores desafios estão na relação do executivo com os outros poderes. Por um lado, temos um legislativo que, mesmo depois de alguma renovação, permanece  desacreditado, acéfalo e acostumado com fisiologismo e corrupção que atingiram níveis impensáveis na era PT. Como funcionará o Congresso sem Mensalão e Petrolão?

No âmbito do judiciário, a corrente hermenêutica tomou conta em todas as instâncias. No STF, temos alçado ao poder pelos nossos 30 anos de governo de esquerda, interferindo onde e quando bem entende. Nas instâncias inferiores, o problema é até maior. Se por um lado, juízes se valeram desta interpretação criativa da lei para colocar corruptos na cadeia, diversas liberdades individuais garantidas claramente na lei foram desrespeitadas no processo. Não me refiro ao Lula, mas principalmente aos “peixes pequenos”. Em vez de se consertar o sistema penal falido via legislativo, optou-se por um “jeitinho” do judiciário. O lado positivo foi a redução da sensação de impunidade para os políticos e a quebra do sistema corrupto de financiamento da esquerda. Por outro lado, não atacamos as verdadeiras raízes legislativas do problema e enviamos a mensagem aos juízes de que não precisam mais se ater às leis e a insegurança jurídica no Brasil explodiu. A percepção da população é de que funcionou majoritariamente à favor do país, mas a história ensina ser perigoso ter um poder discricionário sem os devidos  “checks and balances” e accountability.

Roberto Lacerda Barricelli – Bolsonaro disse que melhorará as condições para o empreendedorismo. Quais as condições necessárias a isso?

Paulo Figueiredo Filho Não tem mistério. Nesta ordem: 1. Redução das regulações e burocracia; 2. Segurança jurídica; 3. Simplificação e posterior redução da carga tributária; 4. Estabelecimento de acordos comerciais com a abertura econômica inteligente.

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Roberto Lacerda Barricelli – Tens experiência como empresário no Brasil e EUA. Como enxerga a aproximação destes dois países e neste momento?

Paulo Figueiredo Filho As relações atuais entre Brasil e EUA  são atualmente as piores possíveis. Os EUA a maior economia do mundo e historicamente um parceiro importante do Brasil com um alinhamento cultural natural. Meu avô, quando presidente, estabeleceu relações até pessoais com o presidente Ronald Reagan. Estas relações beneficiaram imensamente nosso país, ao ponto de efetivamente nos salvar em um momento econômico mundial muito difícil.

Em minha trajetória, levei diversas empresas dos EUA para o Brasil (dentre as quais, a Trump Organization) e do Brasil para os EUA e, admito, é uma tarefa árdua. Mas está claro que o novo Ministério das Relações Internacionais finalmente quer mudar esta situação. Minha única recomendação seria a de que se estabeleça uma equipe aqui na América com perfil mais empreendedor e que entenda a mentalidade e o modus operandi que o Trump implementou com sucesso no seu governo. Isto nem sempre significa agir só com boa vontade e peito aberto – e falo por experiência própria. Com estes componentes, com Trump e Bolsonaro, existe a oportunidade única na história das relações entre os dois países que não irá se repetir tão cedo. 

Roberto Lacerda Barricelli Você ainda mantém relações com o Instituto Liberal? Qual a importância desse tipo de atuação?

Encerrei minha participação como diretor do IL em 2015. O Brasil precisa desesperadamente de mais Think Tanks de verdade nos moldes dos institutos americanos e ingleses.

Roberto Lacerda Barricelli Hoje milhares de pessoas lhe seguem na Rede. Quando e por que se interessou por política? 

Paulo Figueiredo Filho Sempre foi assunto muito presente na minha casa. Tive o privilégio de conviver e conversar com meu avô [ o ex-presidente João Figueiredo] até a minha entrada na vida adulta. Era um assunto comum na família. Certamente isso influenciou minha formação acadêmica, minha decisão de passar pelo pelo setor público e se aprofundou quando me tornei aluno do Olavo [de Carvalho] já há um bom tempo. 

Minha iniciativa de abrir meu perfil nas redes sociais veio apenas quando Dilma Rousseff se reelegeu presidente e percebi que, apesar do pensamento majoritariamente conservador do brasileiro, poquíssima gente se manifestava abertamente neste sentido, principalmente dentre os empresários. Foi uma humilde tentativa de colaborar com o rompimento da Espiral do Silêncio. As pessoas que me seguem, entendem que minhas opiniões às representam de alguma forma e também eu gosto de ouvi-las, mas nunca tive e não tenho a pretensão de ser um intelectual ou analista político. Minha vocação é outra.

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Roberto Lacerda Barricelli – A política externa deve manter o rumo de aproximação com governos como de Donald Trump, Matteo Salvini, Viktor Orban e Benjamin Netanyahu? Qual sua visão sobre o impacto dessa aproximação?

Paulo Figueiredo Filho É a libertação da posição de anão diplomático que o Brasil abraçou com entusiasmo nos últimos 30 anos. Nossos órgãos de relações internacionais se concentraram em defender uma agenda ideológica em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Por isso, nos alinhamos vergonhosamente com a escória do planeta. Já me manifestei publicamente (em um post retuitado pelo próprio presidente Bolsonaro) favoravelmente à uma limpa no Itamaraty que parece já estar acontecendo. Esta nova postura tem o potencial de colocar o Brasil de volta à sua posição natural: a de potência diplomática, militar e econômica na América do Sul e grande defensor dos valores tão caros ao nosso povo. Isto vai muito além (e na maioria das vezes contra) do oba oba da imprensa global e de uma capa bonitinha da The Economist.

Roberto Lacerda Barricelli – O que você diria àqueles que depositam esperanças no novo governo? Alguma orientação? 

Paulo Figueiredo Filho O momento é de muita esperança e de um voto de confiança. Estão apenas começando, mas temos sinais animadores como lideranças patriotas e preparadas à frente das pastas e uma agenda liberal-conservadora que é alinhada com o pensamento majoritário do povo brasileiro e deu certo em todos os países onde foi implementada.


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