Sobre as acusações à ex-assessora de Flavio Bolsonaro

Sobre o caso envolvendo a ex-assessora, Nathalia de Melo Queiroz (foto acima) dividirei minhas considerações nos pontos abaixo:

1 – Transferir 84 mil ao pai, tendo recebido 215 mil em salários e mais 24 mil de verbas indenizatórias, em 2 anos, é suspeito por quê?

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2 – O horário de trabalho dos comissionados na ALERJ não precisa seguir a regra dos concursados – 09hrs às 18hrs -, podendo ser definido pelo gabinete, de acordo com as necessidades.

3 – A reportagem do UOL afirma que a ex-assessora trabalhou no mesmo período, mas assume o descrito no ponto 2, acima. Período se refere ao espaço de tempo em que trabalhou na função, mas o termo é ambíguo e foi propositadamente utilizado para gerar confusão, se confundindo com ‘período diário’ (horário de trabalho). Nem mesmo a palavra ‘diário’ é mencionada, deixando a ambigüidade mais latente.

4 – O nome da técnica jornalística descrita no ponto 3: marca discursiva. Ocorre quando o(a) jornalista se utiliza de eufemismos, ambigüidades, metonímias etc., para manipular o leitor a acreditar em uma narrativa pré-construída.

5 – Os gatilhos mentais como ‘funcionária fantasma’, são utilizados para gerar reações esperadas e que reforçem a narrativa no inconsciente do leitor.

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6 – Os pontos 4 e 5 são utilizados através da Programação Neurolingüística (PNL), focando na construção de crenças inquebrantáveis, no inconsciente coletivo.

7 – Divulgar os valores de salários, dentro da narrativa construída, reforça a desconfiança natural dos leitores quanto aos funcionários de políticos e estes em geral. Mas não possui qualquer relevância em relação à acusação de corrupção, ou receber salários razoáveis virou crime?

8 – A reportagem leva a crer que a ex-assessora recebia um alto salário enquanto ainda era uma “mera estudante” – este termo não é diretamente utilizado, mas o sentido se encontra incutido na reportagem -, mas o próprio UOL divulga que o salário era inferior a 3 mil reais e só cresceu após 2011, ano no qual Nathalia completou sua qualificação profissional.

9 – Não fica claro na reportagem em qual momento de 2011 Nathalia concluiu sua qualificação profissional. Ou seja, ela pode ter terminado antes, durante ou depois de se tornar assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro, e no mínimo estava em época de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), quando a grade geralmente fica mais flexível, sendo plausível o equilíbrio de tempo entre empregos e estudos.

10 – O fato de sempre ter ocupado cargos ligados aos Bolsonaros, é irrelevante. Esse elemento serve à narrativa para trazer a impressão de que sempre houve irregularidades e há tempos, mesmo não havendo o menor cabimento nas acusações – algo que a utilização de técnicas de PNL, ao invés da mera exposição de factos e documentação que corrobore, por si, demonstra claramente.

11 – Informar que Nathalia fez curso com um dos melhores em sua área e possui clientes famosos, incute a idéia de uma mulher da elite, usando do fomento à inveja do sucesso de uma boa profissional – algo que testemunhas confirmam na própria reportagem -, somando à narrativa, de modo que aumente a raiva dos leitores que caem nesse ‘Canto da Sereia’, por desenvolverem a crença de que uma mulher da elite está roubando seu dinheiro – ignorando que a mesma pertence a família simples.

12 – Noticiar que a acusada apagou seu Instagram, que era ferramenta de trabalho também e havia 15 mil seguidores, e que mudou o número de telefone, reforça a idéia de que é culpada e tem algo a esconder. Mas se estivessem tentando destruir sua família para atingir a de um político, você também buscaria se preservar até a conclusão do caso?

13 – As mesmas pessoas que alardeiam a falácia de que Lula foi preso sem provas, apesar da vasta documentação – parte disponibilizada à consulta popular -, agora concluem pela culpa da acusada, mesmo sem quaisquer provas, negando o direito à presunção de inocência e sem que se tenha transcorrido o devido processo legal (se for o caso). Ou seja, àqueles que compartilham de seu ideário, os direitos, àqueles que não compartilham, a ditadura.

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14 – Àqueles que estão defendendo os Bolsonaros com o argumento: ‘com o Lula o UOL não se preocupou’. Parem! Vocês estão parecendo aquele povo que quando das investigações sobre o PT e Lula, repetia: ‘mas e o Aécio?’ Não tenham um político de estimação, mesmo que esse signifique para vocês a esperança de um Brasil melhor.

15 – É estranho que só agora esses “casos” venham à tona, sendo que são acusações sobre supostas irregularidades iniciadas ainda em 2011 e que teriam se estendido até 2017. Por que nada foi falado durante as eleições, ou nos últimos anos? Esse trabalho “investigativo” não era possível antes?

16 – O único ponto que necessita mesmo esclarecimento é: qual era o horário de trabalho na Academia e na ALERJ? Acumular ambos não é crime e a flexibilidade do comissionado facilita muito o equilíbrio de horários, portanto, um simples esclarecimento confirmando isso, é suficiente para encerrar a qüestão.

Estas são minhas considerações sobre o “caso” em questão. E que a verdade venha à tona, independente de qual seja, se sobrepondo às narrativas da grande mídia.


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Fonte: UOL

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Roberto BarricelliMiguelAdolpho Pereira Autores recentes de comentários
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Parabéns pela clara e concisa exposição.

Miguel
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Miguel

robertinho, você não passa de um neoconservador alt right deficiente mental. tire isso de ”liberal” da sua autopromoção.

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