Por que o silêncio da esquerda sobre quem matou Celso Daniel e as Sete Testemunhas?

Celso Augusto Daniel foi prefeito de Santo André por três vezes – de 1989 a 1993, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2002 – pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mas foi assassinado no segundo ano de seu terceiro mandato, executado na cidade paulista de Itapecerica da Serra, em 18 de janeiro de 2002, há 17 anos. A Polícia Civil concluiu por um caso de homicídio comum, mas um dos executores confessos sequer reconheceu a foto do prefeito quando mostrada por um promotor.

Um dos irmão do ex-prefeito e que era rachado politicamente com o mesmo, João Francisco Daniel, oftalmologista e político pelo Partido Trabalhista Brasileiro ( PTB), alegou que seu irmão fora assassinado por causa de um dossiê sobre um esquema de corrupção no setor de transportes da Prefeitura de Santo André, inclusive envolvendo a família da Senadora Mara Gabrilli ( PSDB/SP), que são donos da Viação São José/Expresso Guarará. A família Gabrilli e outros empresários do ramo confirmaram que o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como “Sombra”, recolhia mensalmente propinas entre R$40 e R$120 mil, a serem repassadas ao Partido dos Trabalhadores (PT), com participação do já conhecido corrupto comunista José Dirceu (PT).

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‘Sombra’ negou as acusações até o fim, tendo falecido de câncer em 2016, mas teve que responder por 10 anos a um segundo Inquérito, que foi aberto em 2006 pela delegada Elisabete Sato, então titular da 78ª DP, nos Jardins, em São Paulo (SP). Todos os pistoleiros presos foram ouvidos novamente, por pressão da Promotoria e da Família do ex-prefeito. Sombra era o motorista do carro do qual Celso Daniel foi arrancado pelos sequestradores, após perseguição na região de Sacomã, em São Paulo (SP). O empresário alega que a trava e o câmbio da Pajero que dirigia não funcionaram justamente durante a tentativa de fugir aos criminosos.

Após o assassinato de Celso Daniel, uma queima de arquivo foi iniciada e sete testemunhas do caso foram assassinadas.

O primeiro a ser assassinado foi o líder da quadrilha contratada, Dionísio Aquino Severo, preso três meses após o crime, disse que tinha revelações a fazer e foi morto dentro do presídio dois dias depois. Na sequência foi assassinado Sérgio ‘Orelha’, comparsa de Dionísio e que escondeu este em sua casa após uma fuga do presídio de Guarulhos, antes de ser recapturado e assassinado. O terceiro assassinato foi o investigador da Polícia Civil, Otávio Mercier, que telefonou a Dionísio na véspera do sequestro de Celso Daniel, como os dois anteriores, foi assassinado a tiros, mas dentro de sua residência. O quarto assassinato, o garçom que serviu Celso Daniel no dia se seu sequestro, Antonio Palácio de Oliveira, que foi perseguido por dois homens e bateu a moto em um poste durante a fuga; foram encontrados documentos falsos e um depósito não esclarecido de R$60 mil em sua conta bancária, após sua morte em fevereiro de 2003.

Quinto assassinato foi apenas 20 dias após o garçom e justamente da única testemunha de sua morte, Paulo Henrique Brito, assassinado com um tiro. Mais de um ano e meio depois, em novembro de 2004, foi a vez de Iran Moraes Redua, o agente funerário que reconheceu o corpo do ex-prefeito na estrada onde foi encontrado com 11 disparos e que chamou a Polícia em Juquitiba, encontrado assassinado com dois tiros. A sétima vítima, o médico legista Carlos Delmonte Printes, que emitiu laudo identificando marcas de tortura no corpo de Celso Daniel, afirmando que foi embalsamado – possibilitando autópsia posterior – e que a real data do assassinato seria 19 de janeiro de 2002. Printes foi encontrado morto em seu escritório e a Polícia Civil concluiu que foi suicídio por ingestão de medicamentos que o asfixiaram, motivado pelo fim de seu casamento.

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Em agosto de 2010 a promotora do Caso Celso Daniel, Eliana Vendramini, sofreu atentado quando o veículo que dirigia sofreu colisões repetidas de outro carro, capotando três vezes. Os autores fugiram sem prestar socorro, mas a promotora sobreviveu, conforme confirmou o jornal O Estado de São Paulo (Estadão).

Outro irmão de Celso Daniel, Bruno José Daniel Filho, mora junto com a esposa, Marilena Nakano, em Paris, França, desde 2006, devido a repetidas ameaças à ele e sua família por insistir no esclarecimento do assassinato do irmão. Bruno e Marilena possuem status de asilados políticos, concedido pelo Ofício Francês de Proteção aos Refugiados e Apátridas (OFPRA), por ameaças advindas de perseguição política. Em entrevista à Revista Istoé, em 21 de janeiro de 2016, o casal conta as dificuldades da vida de refugiados na França, onde moram em endereço sigiloso, com seus três filhos, não podendo sequer vir ao Brasil visitar parentes doentes e sobrevivendo de ‘bicos’.

Bruno José Daniel Filho acusa o ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Gilberto Carvalho, de conivência com o crime e possível participação. Há um áudio no qual Carvalho e o empresário Sombra, acusado de ser o mandante do assassinato, conversam sobre como dificultar as investigações desse crime brutal.

Um dos integrantes da quadrilha da Favela Pantanal informou em depoimento aos promotores do caso, em Santo André, em setembro de 2005, que não fora o menor de idade confesso o autor do assassinato de Celso Daniel – o mesmo menor que não reconheceu o ex-prefeito em foto mostrada pela promotoria -, mas José Edson da Silva e o assassinado Dionísio Aquino Severo. O detento não teve seu nome revelado pela promotoria por motivos óbvios e também informou o pagamento de R$ 1 milhão pelo assassinato de Celso Daniel.

Em 2012 o ex-publicitário Marcos Valério, condenado a 38 anos de prisão devido ao esquema do Mensalão, afirmou que o ex-presidente Lula e seu então ministro Gilberto de Carvalho precisaram pagar propina ao empresário Ronan Maria Pinto, que estaria chantageando ambos por poder os denunciar por participação no assassinato de Celso Daniel. O pagamento teria sido feito pelo empresário José Carlos Bumlai, em 2004, utilizando dinheiro emprestado pelo Banco Shcahin. Em 2016, Valério se recusou a comentar o caso frente ao então juiz Sérgio Moro, alegando que temia por sua vida dentro do presídio, mas afirmou que era realmente algo “muito grave”.

Contudo, em depoimento na Operação Lava Jato, Bumlai confirmou as acusações de Valério e informou o pagamento de R$6 milhões pelo silêncio de Ronan Maria Pinto, que é dono do jornal Diário do Grande ABC, pra que não falasse sobre o esquema de corrupção e extorsão na Prefeitura de Santo André e tampouco sobre o assassinato de Celso Daniel. Ronan foi preso em 01 de abril de 2016, na 27ª fase da Operação Lava Jato, por despacho de Sérgio Moro, no qual o então juiz também informa que Valério – mesmo não tendo falado sobre o assassinato de Celso Daniel -, falou sobre a existência de extorsão a membros do PT e “Citou expressamente como envolvidos Sílvio José Pereira, José Dirceu de Oliveira e Silva, Gilberto Carvalho, Luiz Inácio Lula da Silva e Breno Altmann”.

A esquerda brasileira, até hoje, não fez campanhas sobre o caso, tampouco hastags de #CelsoDanielPresente ou #CelsoDanielVive, nem vimos suas ONG’s e outros grupos de “Direitos Humanos”, ou a grande imprensa, ou mesmo os blogs como Brasil 247, DCM, Revista Fórum etc, afirmando que a Democracia Brasileira está sob grave ameaça enquanto não houver esclarecimentos deste crime brutal.


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Fontes: JusBrasil Istoé Gazeta do Povo Jornal da Cidade Online Veja Exame

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