Eleição de Davi Alcolumbre não foi Vitória de Pirro

A eleição do Senador Davi Alcolumbre (DEM/AP) para a presidência do Senado Federal foi alardeada pela extrema- imprensa e setores da “ direita limpinha”, ou melhor, “ direita de lastro”, como uma Vitória de Pirro. Me pergunto se esses supostos analistas sabem alguma coisa sobre Vitória de Pirro, ou caso saibam, se são despossuídos da capacidade de contextualização e comparação básica, ou ainda, “apenas” têm desvio de caráter.

Pirro (318 a. C. – 272 a. C) foi Rei do Épiro e da Macedônia e um dos primeiros adversários dignos de Roma, mesmo antes de podermos falar em Império Romano. As Guerras Pírricas duraram de 280 a.C. a 275 a.C e foram justamente as vitórias de Pirro que decretaram sua derrota final, pois as perdas deste foram irrecuperáveis, sendo maiores das baixas do que a capacidade de reposição de soldados, enquanto Roma sofria também baixas consideráveis, mas recompunha seu exército rapidamente, devido ao excedente de soldados à disposição.

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E não foi a última vez que isso ocorreu á Roma, pois na Segunda Guerra Púnica (218 a.C. – 201 a.C.) , contra Aníbal Barca (243 a.C. – 183 a.C.), general dos exércitos de Cartago e filho mais velho de Amílcar Barca (270 a.C. – 228 a.C.), general cartaginês que mais se destacou na Primeira Guerra Púnica (264 a.C. – 241 a.C.) – já nos últimos anos desta -, derrotas esmagadoras foram impostas à Roma, principalmente na Batalha de Canas (02 de agosto de 216 a.C.), quando Aníbal esmagou as tropas de Caio Terêncio Varrão e Lúcio Emílio Paulo.

Coube novamente ao duas vezes ditador, Fábio Máximo (275 a.C. – 203 a.C.) e Marco Cláudio Marcelo (268 a.C. – 208 a.C.), conhecidos como Escudo e Espada de Roma, retomarem a moral do exército romano, em dois consulados juntos (215 a.C. e 214 a.C.) e um alternado (210 a.c – M.C.M / 209 a.C. – FM) e ainda um último consulado (o quinto) para Marcelo (208 a.C.) no qual morreu durante luta singular em uma emboscada na Venúsia. Fábio Máximo era adepto de pequenas escaramuças, que davam aos romanos pequenas vitórias, apenas para erguer o moral das tropas, e vem dela a concepção de “estratégia fabiana”, de vencer seu opositor gradualmente, protelando o confronto direto até o momento que lhe seja mais propício, pelo esgotamento do opositor, sua impaciência e ansiedade, etc.

Ou seja, uma vitória pírrica consiste em uma batalha que se vence a custo mais elevado do que a capacidade de recomposição das tropas e reconstrução do exército, deixando o Estado vulnerável, enquanto seus inimigos conseguem se reconstituir velozmente e sem maiores problemas. Nem de longe foi o que aconteceu na eleição de Alcolumbre á presidência do Senado, pois assistimo à queda do Senador Renan Calheiros ( MDB/AL) e uma vitória por maioria simples de Davi Alcolumbre (42 votos), enquanto outros dois candidatos “governistas” – no mínimo, adeptos de alinhamento ao governo e às reformas – Capitão Augusto e Espiridião Amin, receberam 8 e 13 votos respectivamente. Ou seja, os candidatos mais alinhados ao governo receberam, juntos, 63 votos dos 81 possíveis, superando o que se considera ‘maioria absoluta’, de 2/3 (dois terços).

Esses votos são claras sinalizações desses 63 senadores de que estão abertos à colaboração com o Governo Bolsonaro, mesmo que por motivações diversas, como receio da resposta popular em 2022, como ocorreu a grandes caciques (Romero Jucá, Eunício de Oliveira, Roberto Requião e Lindbergh Farias), ou por alinhamento nas idéias, ou ainda por receio de alguma outra retaliação popular que lhes exija a cabeça, principalmente com a Lava Jato à espreita, etc. Mas há um facto: a articulação do Ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM) e a eleição de Rodrigo Maia (DEM) e Davi Alcolumbre (DEM) como presidentes das duas Casas Legislativas, demonstram a governabilidade de Jair Messias Bolsonaro (PSL), e as votações sinalizam clara abertura à colaboração da maioria necessária à aprovação das reformas – e Rodrigo Maia diz que ainda não há maioria para aprovar a Reforma da Previdência, mas sinaliza que há abertura para isso que antes não havia.

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Esses acontecimento jogaram por terra novamente as previsões furadas dos supostos analistas e, mais uma vez, feriu seus egos frágeis, os levando a um novo ciclo de previsões mais furadas ainda e afirmações desprovidas de lógica e conhecimento, como chamar de Vitória Pírrica, quando não houve uma grande perda e as sinalizações são de construção – até que rápida – da maioria necessária à governabilidade. O que houve foi uma Vitória Augusta, conceito que provavelmente os supostos analistas de botequim jamais tiveram contato, ou se tiveram, não compreenderam.

Quando Caio Julio César Otaviano (63 a.C. – 14 d.C.) foi nomeado herdeiro de seu tio-avô Julio César (100 a.C. – 44 a.C.), apos o assassinato deste nos idos de março de 44 a.C. – aproximadamente a 15 de março daquele ano – Otaviano formou o segundo triunvirato – três cônsules – com Marco Lépido e Marco Antônio. Derrotou os assassinatos de César, obteve a deposição de Lépido por traição e derrotou Marco Antônio depois deste ter se virado contra Roma em favor de Cleópatra, Rainha do Egito, e cometido suicídio, após a destruição de seu exército na Batália do Áccio (31 a.C.). Retorna à Roma, onde inicia a reconstrução do Estado romano, reestruturando suas bases e, após isso, pedindo para devolver o poder ao Senado Romano, que recusa e o nomeia de Augusto (Augustus), ou o “melhor entre os melhores”, e Princeps – o primeiro cidadão entre todos os cidadãos.

Augusto é o construtor do Império Romano, tendo sofrido algumas derrotas, como o desastre humilhante sofrido por Públio Quintilio Varo (46 a.C. – 9 d.C.), que se matou após o vexame na Batalha da Floresta de Teutoburgo. Mesmo desta derrota, Augusto – já em idade avançada – conseguiu se recuperar e manter a moral dos romanos e a segurança do Império. O primeiro Imperador romano não impôs através da força, mas da articulação política junto ao Senado, atitudes nobres – ao menos na aparência – e diminuindo o próprio poder, fazendo concessões e recuando, quando necessário; claro que eram outros tempos e não defendo ao pé da letra o “jeito romano” de fazer política, mas Augusto pegou uma Roma arrasado por guerras civis, venceu a última destas e construiu o Império Romano, tendo um longo período de paz – o maior da história de Roma -, pois preferiu reforçar suas fronteiras e a segurança de seu povo, antes de se arriscar a novas empreitadas e expansões – período conhecido como Pax Augusta (Paz Augusta).

O que Bolsonaro tem em mãos, hoje, são duas Casas Legislativas sinalizando maioria e abertas à articulação, com dois presidente eleitos com ajuda de seu Ministro Chefe da Casa Civil, principalmente o do Senado, e uma equipe ministerial – em geral – das mais qualificadas da história da República brasileira. O presidente pode construir um Brasil mais justo, estável e próspero, as portas à isso estão abertas e seu principal opositor, Renan Calheiros, terá que se posicionar como líder da esquerda no Senado Federal, expondo sua verdadeira face, e estancando a guerra promovida pelos setores progressistas contra o povo brasileiro. Isto é uma Vitória Augusta!

Se os supostos analistas tivessem compreendido Políbio, Tito Lívio e Suetônio – ou se não os leram, recorressem a Goldsworth – não cometeriam um erro de análise comparativa tão básico. É! A extrema- imprensa e a “ direita de lastro” precisam estudar história.


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JosuéPadre Carlos Maria de Aguiar Autores recentes de comentários
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Padre Carlos Maria de Aguiar
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Padre Carlos Maria de Aguiar

Parabéns pelo maravilhoso artigo, carregado de boa análise e erudição.

Josué
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Josué

Texto totalmente explicativo, esclarecido e repleto de conhecimento!!! Parabéns!

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