De FHC (PSDB) à Lula e Dilma (PT) I – Estadão recebeu R$263 milhões, mesmo com tiragem caindo

O jornal Estadão, do Grupo O Estado de São Paulo, recebeu em verbas do Governo Federal nos governos de Fernando Henrique Cardoso ( PSDB), Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT), R$263.010.343,00 (duzentos e sessenta e três milhões, dez mil, trezentos e quarenta e três reais) em verbas publicitárias, segundo levantamento do UOL.

No primeiro ano cujos dados estão disponíveis (2000) foram mais de R$44 milhões, no entanto, a tiragem do jornal ultrapassava os 399 mil exemplares ao dia, num total de 145.635.000 (cento e quarenta e cinco milhões e seiscentos e trinta e cinco mil) exemplares naquele ano. Em 2001, a verba caiu mais que pela metade, aos R$20 milhões, enquanto a tiragem média diária diminuiu em quase 58 mil exemplares.

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Uma explicação pode ser a campanha pró-impeachment de FHC articulada pelo Partido dos Trabalhadores e a resistência a uma nova rodada de concessões e privatizações, como também à publicação do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), cujas pautas principais estão na contramão da opinião popular ( aborto, drogas, mais desarmamento etc.), mas não foi realizado estudo para analisar o peso dessas pautas no editorial do jornal, ou em suas páginas de política, economia e cultura, sendo uma possibilidade especulativa que necessita desse aprofundamento, mas não deixa de ser lógica e palpável.

Uma possibilidade para a queda da tiragem é a exploração da edição digital, que proporcionou aos leitores maior acesso á informação e com maior agilidade, diminuindo o interesse em adquirir a versão impressa. Não à toa, o Estadão faturava R$101.919,00 (cento e um mil e novecentos e dezenove reais) com publicidade digital em 2000, com FHC, e chegou a R$2.743.855,00 (dois milhões setecentos e quarenta e três mil e oitocentos e cinqüenta e cinco reais) em 2014, no governo de Dilma.

No entanto, a tiragem da tabela acima é a soma das tiragens do digital e do impresso, e falei disso só agora para usar de gancho e desenvolver melhor o assunto. Pois vejam, em 2000 a soma alcançava 399 mil exemplares ao dia, enquanto em maio de 2015 (últimos dados disponíveis pelo levantamento UOL) era 248.304 mil, uma queda de quase 151 mil exemplares lidos (entre versão impressa e digital) ao dia, ou seja, a versão digital mesmo crescendo não impediu a queda da tiragem total do jornal.

O pulo do gato poderia estar no site do Estadão, porém, a verba aqui exposta é exclusiva do jornal impresso + digital, não podendo ser este o motivo de manterem o financiamento estatal Estadão.

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Bem, talvez os ataques freqüentes ao governo do presidente Jair Messias Bolsonaro, como a última Fake News criada sobre uma caça aos “olavettes” dentro do Ministério da Educação (MEC) e o áudio que vazou da jornalista Constança Rezende assumindo querer derrubar tal governo, que está cortando as verbas publicitárias enquanto os governos de esquerda as mantinham pouco variáveis a partir de 2001, seja uma boa explicação. Mas a qüestão não é só dinheiro, mas principalmente ideológica e também medo de perder o espaço que conservadores estão começando a ocupar, como deixa claro o áudio.

Mas o mais chocante é ver o Estadão se defender falando quem um “site bolsonarista” os atacou, quando esse site – o Terça Livre – existe para fazer jornalismo de verdade, não para defender um político, e apenas traduziu e transcreveu o que denunciou o jornalista francês Jawad Rhalib, seu blog Mediapart . Também não á toa, esse ataque do Estadão ao Terça Livre veio acompanhado de ataques de blogs, revistas, jornais e portais que receberão tanto quanto o Estadão em verbas oficiais dos governos de esquerda do PSDB e do PT, e agora vêem “a teta secar”. Serão expostos nos próximos artigos.

Análise complementar e de leitura não obrigatória

Mas se o seu amigo de esquerda disser que na verba está incluso o site, mesmo não estando, ou que a parte de que o público do Estadão caiu é mentira desta matéria – sendo que falei em tiragem impressa + digital e não do público-, faço agora uma análise que refuta  essas afirmações e de bônus prova que ele que está mentindo até sobre o público total do Estadão – que também diminuiu.

Primeiro, há as fontes nas tabelas e está descrito que a verba foi destinada exclusivamente aos jornais impressos (físico + digital) e negar isso sem estar mentindo é impossível, a prova está na própria tabela. Segundo, que como dito me referi exclusivamente à tiragem impressa + digital e nem mesmo toquei na questão do portal, pois as verbas analisadas não se destinam a ele.

Terceiro e último (de bônus), nos primeiros seis meses de 2015 (até 20 de junho daquele ano) obteve 133 milhões de interações, num total de 777.777 mil interações ao dia, quase o dobro da tiragem impressa + digital de 2000. Mas assim sendo, por que as verbas sequer alcançaram o patamar de 2001? Uma boa explicação é que essas interações não são necessariamente únicas, ou seja, as mesmas pessoas estão compartilhando, curtindo e comentando as matérias do site do Estadão, somando tanto compartilhamentos, quanto curtidas e comentários, em ao menos quatro redes sociais (Twitter, Facebook, Linkedin e Pinterest), numa bela contabilidade criativa.

E essa explicação se confirma na realidade, quando o próprio Estadão disponibiliza os números e informar que tem aproximadamente 20,3 milhões de visitantes únicos no ano, pouco mais de 54 mil visitantes únicos ao dia. Contudo, um acesso a Home Page, mesmo que não tenha lido matéria alguma, PE considerado um acesso único.

Qual é então o dado confiável? Segundo o Estadão, são 2,8 milhões de leitores ao ano no impresso, mas quantos eram quando a tiragem estava em 399 mil ao dia, se fossem menos, porque a tiragem diminuiria em quase 151 mil exemplares diários? Obviamente, houve queda. Para que essa queda seja suprida são necessários repor esses 151 mil, no entanto, só obtém no máximo 54 mil visitantes únicos ao dia. Isto comprova que o Estadão teve diminuição também de público total em sua edição impressa e digital, além da diminuição da tiragem já comprovada, e que mesmo os números do site não repõem a perda desse alcance real.


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Fontes: UOL Estadão (Medialab) Mediapart

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danilo

realmente a mídia é golpista como alguns diriam por ai, eles vão atacar qualquer um que for contra suas mamatas e privilégios. e digo mais esses bostas só não tiveram uma queda maior por que não tivemos até agora pessoas pra suprir e investir em uma mídia que possa competir contra eles de forma mais direta. se tivessemos um jornal mais de direita e que fosse impresso poderiamos tirar mais ainda poder desses jornais.

danilo
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danilo

sim, e isso é evidente em quase todos os os jornais e suas versões digitais e até acessos aos sites. o problema que vejo é a falta de visão de empresários de direita pra suprir essa necessidade de uma mídia realmente de direita. ué se toda a mídia esta em frangalho econômico e estão desacreditados por que não temos alguém pra investir em jornalismo diferente desses que vemos ? cadê esse pessoal ? realmente é uma pergunta que temos que fazer.

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