A Síndrome de Robin Hood

A situação no do sistema carcerário brasileiro é caótica, está cada mais inflado e chega a quase oitocentos mil detidos por crimes que vão de roubo de comida a latrocínio. Estamos vivendo um tempo de devassidão social, onde o crime muitas vezes compensa e a vida correta é deturpada com desigualdade e isolamento. Como gado, a população marginalizada é esquecida, e dia após dia, mais jovens são lançados no crime, e todos nós sabemos que o fim disso são prisões superlotadas ou a morte. Para entendermos como chegamos a esse nível estratosférico de esquizofrenia social, temos que voltar no tempo e aprender como se deram as coisas para nos trazer até aqui. Há, porém, três questões básicas a se fazer: 1 – Onde começou isso tudo? 2 – De quem é a culpa? 3 – É possível resolver esse problema? Vamos as respostas.

A Revolução Marxista foi, sem dúvidas, uma das maiores transformações que o mundo sofreu depois da Revolução Protestante, lembrando que a Revolução Protestante não tem a ver apenas com atitudes religiosas, mas, com a transformação do homem natural em um ser independente e totalmente ligado ao seu Deus e ao mesmo tempo com meio político e intelectual em que vive. Diferente da Revolução Protestante, a Revolução Marxista parte do pressuposto de que a elite burguesa precisa ser detida, para que a elite proletária se erga e destrua tudo que foi construído, e assim continue lutando até alcançar uma igualdade plena, uma utopia em nome de uma causa nobre e revolucionária. A Síndrome de Robin Hood também parte desse pressuposto, o crime é algo que não compensa, mas se for por uma causa nobre é possível que se ache brechas para o justificar. O criminoso acredita que roubar de quem tem mais para sustento de sua família e sucessivamente das pessoas mais próximas é válido, é algo revolucionário, todavia, a face social do Robin Hood moderno é a desigualdade, a miséria e a pobreza, tornando a periferia refém de seus males.

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A periferia esquecida, foi deixada ao ermo, ela criou marginais superpoderosos, que geram receitas bilionárias ao estado, esses Robin Hood’s são os “heróis”, se é que podemos chama-los assim, porém, são admirados por crianças e adolescentes dentro das favelas, muitos jovens ingressam na escola do crime por influência desses monstros, ervas daninhas cultivadas pelo estado, que ao invés de pôr em prática suas políticas públicas, joga esses jovens ao léu, sem rumo, esses órfãos do estado são amparados pelos tais Robin Hood’s, os “heróis” deturpadores da verdade, tutelado pelas brechas deixadas pelo sistema. Como na história do herói inglês, que vivia nas florestas de Nottingham, saqueando, roubando e atendendo as necessidades dos miseráveis desamparados pelo estado.

Robin Hood, diferente desses marginais brasileiros, era rico, mas sucumbiu ao crime por bel prazer para defender os menos favorecidos pelo estado, se tornando inimigo público do mesmo estado que o deixou viver. No Brasil não é diferente, os nossos marginais, são analfabetos, ignorantes, mas fazem um tremendo favor ao estado, colaborando veementemente para essa carnificina sociocultural criada pelo estado, para o estado, dentro do estado. É a grande ideia de criar o problema para vender a solução, o estado gosta de enxugar gelo, fazer propagandas, vender a imagem de que combate o crime e a desigualdade ao mesmo tempo. Mas não o faz, e o que faz e paliativo, “para inglês ver”.

No Brasil, os flagelados sociais estão lutando para não serem esquecidos pela nobreza, eles também foram criados pelo estado, saíram das senzalas, dos porões da escravidão para as vielas das cidades, ou das periferias rurais da Europa para as lavouras de café do período republicano brasileiro, saíram da exclusão, do medo da fome, para as margens das grandes cidades do Brasil, sem oportunidade nenhuma foram esquecidos nas periferias, deixados ao ermo para serem mortos por sua própria ignorância. Onde estava o lema tão repetido pela República? A igualdade e a fraternidade eram apenas para os da camada superior. Então vieram as favelas, senzalas a céu aberto, cheias de pretos e brancos, todos pobres, por que pobreza, a desigualdade e a miséria não tem raça e nem cor. Marcados por um êxodo descomunal em busca de oportunidades, vimos nascer nesses currais os tais “heróis”, dia após dia o estado que os criou, e os deixou viver, os alimentou e deu a eles uma força paralela, onde o poder não está na legalidade, mas sim no modus operandi, no marketing e na desigualdade. Órfãos que outrora foram abandonados, agora recebem o afago do mesmo estado que os deixou para morrer, é a propaganda perfeita transmitida em horário nobre.

Esse é o destaque histórico que tornou o nosso sistema carcerário caótico, mas contudo, vimos que realmente cadeia não resolve, entretanto, serve para tirar o marginal da sociedade, e por hora é disso que precisamos. A realidade de quem sofre com a falta de tudo não apenas essa, a educação que nos oferecem não é suficiente para nos tirar das valas ideológicas em que fomos jogados, ao contrário, nos afunda sem perceber nessas celas ideologias superlotadas, cheias de “heróis”, criados pelo mesmo estado que tanto os combate. Viemos das senzalas mais sórdidas do período escravagista, e dos porões fétidos da Europa, fugidos das revoluções nefastas do comunismo, para nos jogarem em cubículos superlotados, caixas ideológicas por simples prazer estatal. O estado não nos quer livres, as correntes que nos prendiam e as ideologias que nos perseguiam ainda nos ronda. Enquanto o estado for o detentor dessa tal “liberdade”, a prisão será o fim de todos nós, brancos e pretos, cárcere físico ou ideológico, por que o estado jamais irá suster-se do poder de nos controlar. Para os que pedem mais estado, darei aqui uma última advertência, sucinta e precisa. Acorde antes que seja tarde, pois se vocês continuarem nesse caminho ideológico de bizarrices patéticas em nome de uma revolução fadada o caos e ao medo, a cela de vocês irão usar não se escreve com C, está não aprisiona e se escreve com S, usadas em equinos e grandes animais que montados são levados a qualquer lugar, mesmo sem sua própria vontade, veja a força deles, mas seu fim é o domínio, pois não donos de si.

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