A fome como arma comunista II – A China de Mao Tsé-Tung

Sob o domínio do tacanho e egocêntrico Mao Tsé-tung, seu “Líder Supremo”, a China passou pelo período mais obscuro de sua história.

Mao (cujo nome serve como uma luva) estava impaciente pela demora no processo de industrialização da China, devido à corrida interna do próprio Bloco Comunista, entre a República Popular da China e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), além de muito irritado com a resistência dos camponeses à coletivização do campo, dos meios de produção, de sua mão de obra e suas propriedades, que atrasava mais ainda o processo.

A China era ainda um país essencialmente agrário, como o era a própria Rússia quando a Revolução Bolchevique de 1917, contudo, como vimos em artigo anterior, a URSS teve vasto apoio de Wall Street, que financiou a volta do próprio Lênin ao país durante a Primeira Guerra Mundial – a história de que Wilhelm II (Guilherme II) de Alemanha teria financiado essa volta é mentirosa, apesar de ter permitido a passagem do futuro ditador comunista – e “deu o golpe”, por exemplo, empresas como a General Electric (GE) investiriam pesado na Rússia, construindo toda sua malha elétrica, mas a lua de mel dura pouco e todas as propriedades dessas empresas foram confiscadas, assim como os investimentos de multimilionários como os Rothschild se mostraram “doações involuntárias”, e iniciaram uma “Guerra Secreta”, escondida pela cortina de fumaça das “relações amistosas” – até hoje globalistas e comunistas se usam mutuamente e ambos os lados acham que eliminarão o outro quando instalarem um governo mundial e centralizado.

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Na China, o “Líder Supremo” também ascende ao poder através da agressão e da guerra, instaurando sua ditadura em 1949. As perseguições sistêmicas, os assassinatos em série, a separação de famílias enviando crianças do campo às famílias das cidades e as da cidade às famílias do campo, além de doutrinação em larga escalas em instituições de “educação” especialmente preparadas para isso, são as políticas que Mao adotará até sua morte, em 1976.

Em 1958, Mao Tsé-tung iniciou seu plano de coletivização forçada ao qual chamou de “O Grande Salto em Frente”, mas que se mostrou o “Grande Salto para a Fome”. Assim como Stalin causou o Holodomor na Ucrânia entre 1932-1933 com seu plano de coletivização, o mesmo ocorreu com a China entre 1958-1962 com a coletivização forçada de Mao. Os governos comunistas parecem ter um padrão histórico e hediondo de comportamento, mas falarei disso em outro artigo.

O mais bizarro dessa situação é que a Academia Soviética iniciou a publicação de uma série de artigos e matérias criticando o modelo de “Comunidades Produtoras” que Mao achava uma grande inovação, lembrando que o mesmo fora tentado na própria URSS e falhado miseravelmente, sendo totalmente inviável, mas para o ditador comunista da China, era qüestão de honra alcançar a URSS, enquanto dizia ser a Inglaterra seu alvo – até o slogan se referiria a isso: “Passar a Inglaterra em 15 anos”.

O Professor Frank Dikötter, da Universidade de Hong Kong, obteve acesso a documentos do Partido Comunista Chinês, até então secretos, os quais revelaram os horrores do período do “Grande Salto em Frente”. Foram quatro anos sombrios, de calamidade e desespero.

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Segundo o Livro publicado pelo professor Dikötter (A Grande Fome de Mao) as estatísticas compiladas pelo Gabinete de Segurança Pública na época (1958-62) apontam para 45 milhões de mortes prematuras. A maioria das mortes causadas pela fome que se instalou com as políticas impraticáveis de Mao que atendiam à sua personalidade narcisista, não ao povo da China.

Falo em “personalidade narcisista” sem titubear, pois não foi apenas a impaciência de Mao (então há 10 anos no poder) com a marcha lenta do desenvolvimento econômico e a resistência à coletivização que o levaram a lança o “Grande Salto em Frente”, mas, principalmente, seu desejo de se tornar o Grande Líder do Campo Socialista. Seu desejo em ser maior que os demais levaram 45 milhões de pessoas à morte em apenas quatro anos.

O slogan do plano de Mao era: superar a Inglaterra em 15 anos. A Inglaterra era a maior potência industrial da época. Realmente a China de hoje ultrapassou os ingleses e faz frente aos Estados Unidos, porém, sem que qualquer mérito possa ser atribuído a Mao, pelo contrário, políticas mais “liberais” como a criação de zonas especiais e maior abertura econômica, atraindo multinacionais com mão de obra barata (devido a imensa oferta de mão de obra acima da demanda) e incentivos fiscais. Se no campo social a China de hoje continua com seu comunismo repressivo, no campo econômico a liberalização está em gradual expansão, mantendo nas mãos do Estado “apenas” setores considerados estratégicos para a economia do país (mas principalmente para a manutenção do Partido Comunista no poder e a expansão da riqueza de seus pares), o que não é ideal (pois a iniciativa privada pode sempre fazer melhor com menos custo, gerando mais empregos de melhor qualidade e renda maior), mas já é um avanço importante.

Voltando a Mao. O então Líder Supremo da China utilizou o que ele achava ser sua principal “arma” na perseguição ao desenvolvimento econômico e que permitisse ultrapassar a União Soviética e a Inglaterra: a mão de obra de milhões de trabalhadores, homens e mulheres (adultos) e crianças. Para tanto, coletivizou tudo que estava ao seu alcance e amontoou os camponeses em enormes comunas, que surgiram no lugar das propriedades privadas dos agricultores (fossem grandes ou micro).

Mas o grande problema não foi a falta de comida, mas o confisco dos alimentos pelo Estado para destiná-los à exportação e a utilização da comida como política de extermínio dos opositores e “inimigos” (reais e irreais), de repressão ao povo e eliminação dos considerados mais fracos e menos produtivos – política eugênica que orgulharia a Hitler, se estivesse vivo para aplaudir . Por exemplo, indivíduos ditos conservadores foram deliberadamente levados à fome para que morressem, através do não repasse de alimentos, ou repasse de comida podre e em quantidade abaixo do mínimo necessário. O mesmo foi feito aos que dormiam no serviço, os doentes, debilitados, deficientes e muito idosos. Todos propositalmente levados ao limite da fome para que morressem.

No período houve ao menos 3 milhões de execuções, por todo tipo de banalidade. No livro do professor Dikötter, há o relato de um pai que foi obrigado a enterrar vivo o próprio filho como punição por este ter roubado um punhado de grãos de uma das cantinas públicas existentes nas gigantescas comunas, onde a comida era distribuída “a colheradas”. Assim como durante o Holodomor causado por Stalin na Ucrânia, pessoas foram executadas por roubarem alimentos como uma batata, ou uma maça, durante os quatro anos do “Grande Salto em Frente”. Outro padrão histórico de comportamento dos ditadores comunistas.

Logo que o fracasso se mostrasse iminente, Mao criaria todo tipo de bodes expiatórios nos quais colocar a culpa (como faz o governo de Cuba, Venezuela e Coréia do Norte, outro padrão, por exemplo). Claro, a culpa não poderia ser de suas políticas desprovidas do mínimo de ciência econômica, pois Mao com certeza era capaz de controlar a economia e jogá-la de um lado ao outro de acordo com suas vontades, independente dos fatores econômicos que geram escassez, como sucateamento dos serviços, demanda maior que a oferta e balança comercial muito desfavorável (como a causada pela exportação de alimentos em larga escala, sem a equivalente produção, causando o desabastecimento interno) e o cálculo dos preços, impossível no comunismo (e no socialismo).

No desespero de impedir a descoberta da verdade, muitas fotos e documentos foram destruídos pelos comunistas maoístas quando a Ditadura Comunista (desculpe o pleonasmo) de Mao entraria em crise durante seus 10 últimos anos, de 1966 até 1976 (quando morre o ditador), devido a insatisfação de diversos membros quanto aos nefastos resultados das políticas utópicas de Mao e seu novo plano de “Revolução Cultural”.

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Porém, além de diversos documentos, o professor Dikötter encontrou nas mãos de um pesquisador chinês uma foto de um caso de canibalismo desencadeado pela fome (outros documentos, descobertos por ele, mostram que casos assim ocorrerão em todo o país) onde um rapaz está parado em frente uma “bacia” com uma criança (seu irmão) desmembrada. Casos extremos como comer lama e fezes também estão registrados. Os chineses foram levados ao ápice da imoralidade.

Referências

Dikötter, Frank. A Grande Fome de Mao, Ed. Dom Quixote, 564 páginas, 2010

Sutton, Antony; Wall Street e a Revolução Bolchevique, Ed. Libertar, 2015, 1ª edição.


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